1 de fevereiro de 2017

Lição 06

PACIÊNCIA
EVITANDO AS DISSENÇÕES
Leitura Bíblica: Rm. 12.12 – Texto Áureo: Tg. 5.7-11




Prof. Ev. José Roberto A. Barbosa
Twitter: @subsidioEBD


INTRODUÇÃO
Vivemos em um mundo impaciente, cheio de dissenções e ansiedades, no qual as pessoas não conseguem esperar. Na aula de hoje estudaremos a respeito da paciência (ou longanimidade), enquanto virtude do fruto do Espírito. Veremos também que essa é uma resposta cristã à impaciência, tão comum nos dias atuais. Ao final, destacaremos a importância de aprender a esperar no Senhor, e a saber que Ele está no comando de todas as situações, ainda que tudo pareça fora de controle.

1. DISSENÇÃO E IMPACIÊNCIA
A dissenção é uma obra da carne, que coloca as pessoas umas contra as outras, resultante da falta de paciência. A palavra grega que define esse comportamento é eris, e tem uma ligação direta com echthra – inimizade. Esse termo aparece nos textos antigos como um sentimento que dilacera a vida das pessoas. Também pode ser traduzida por contenda, e tem relação direta com as necessidades impostas ao mundo. As pessoas, nesses tempos de modernidade líquida, disputam espaço umas contra as outras. A fim de suprirem suas necessidades, algumas delas impostas pela mídia, há quem esteja consumindo sua espiritualidade. O tempo, para tais pessoais, é sempre insuficiente, de modo que não conseguem encontrar satisfação. Há aqueles que não conseguem parar, o silêncio os perturba de maneira que estão sempre em ação. A oração, para aqueles que estão viciados nesse pragmatismo, é algo que os incomoda. Paulo geralmente faz uso da palavra eris – dissenção – no contexto da vida da igreja. Por isso, em sua I Epístola aos Coríntios, discorre a respeito das facções dentro da comunidade cristã (I Co. 1.11; 3.3). As disputas dentro das igrejas são cada vez mais comuns, a política eclesiástica está destruindo a vida de vários obreiros. A busca por status e dinheiro está adoecendo a muito, principalmente aqueles que profissionalizaram o ministério. Mesmo entre os membros da igreja existem aqueles que querem posição e reconhecimento. Entre os que estão na meia-idade, obreiros e leigos, vivem comparando sua condição com a de outros. Tais dissenções geram impaciência, a demora para chegar onde desejam fazem com que fiquem frustrados. A eris entra, por conseguinte, como um veneno, a fim de destruir o outro, e disseminar a discórdia, a fim de tirar algum proveito.

2. PACIÊNCIA DIANTE DAS AGITAÇÕES
A alternativa espiritual para as dissenções, e por sua vez, a impaciência, é a longanimidade. Essa palavra, que também é traduzida como paciência é makrothumia no grego neotestamentário. Trata-se, portanto, de uma disposição para suportar, principalmente as adversidades. Ser longânimo, no sentido bíblico, é ter um “pavio longo”, isto é, não se precipitar, nem perder a paciência. O sofrimento pode nos levar ao desfalecimento, quando somos provados temos a tendência a desesperar. O autor da Epístola aos Hebreus destaca, porém, que a correção de Deus resulta em maturidade espiritual (Hb. 12.7-11). É preciso cultivar a paciência, a fim de não desistir da caminhada, pois ser paciente tem tudo a ver com perseverança (Cl. 1.9-11), e essa é gestada na tribulação, que nos ensina a ter esperança e a nos alegrar no Senhor (Rm. 5.3,4). As pessoas verdadeiramente sábias são aquelas que mostram paciência, pois elas não se precipitam quando precisam tomar decisões (Pv. 14.29). Essas são pessoas que desfrutam da paz de Deus, elas não incitam as dissenções umas contra as outras, sabem que suas vidas estão nas mãos do Senhor (Pv. 15.18). Ao invés de se apressarem, e desejarem ter o que não lhes pertencem, ou mesmo quando são vítimas de injustiça, encontram forças em Deus para continuar (Pv. 16.32). Aqueles que cultivam a paciência sequer guardam rancor, elas são capazes de reconhecer as angústias dos outros, por isso estão dispostas a perdoar (Cl. 3.12,13).

3. ESPERANDO COM PACIÊNCIA
Existem vários exemplos bíblicos negativos de pessoas que, mesmo que por algum tempo, demonstraram impaciência. Dentre elas destacamos: Abraão, que se adiantou para ter um filho, distante do propósito de Deus (Gn. 15.5); Jacó, ao querer ser um líder antes do tempo, tomando decisões precipitadas (Gn. 25.23); Saul, quando quis assumir uma posição para a qual não foi chamado (I Sm. 10.8-10); e Jonas, por causa da graça de Deus demonstrada aos ninivitas (Jn. 4.2). Ainda bem que existem exemplos bíblicos positivos, tais como os profetas do Antigo Testamento, que falaram em nome do Senhor (Tg. 5.10); Davi, que aprendeu a esperar com paciência no Senhor, ciente de que Ele estava atento às suas orações (Sl. 37.7); Jó, o homem íntegro e reto, que mesmo diante das adversidades, soube confiar no Deus da promessa (Tg. 5.11).  Com esses devemos aprender a esperar com paciência no Senhor, sabendo que Ele está no comando das situações. O próprio Deus se apresentou a Moisés como paciente (Ex. 34.6,7), que não se apressou em punir os pecadores, até mesmo aqueles que se rebelaram nos dias de Noé (I Pe. 3.20). O povo de Israel contrariou o Senhor por várias vezes, especialmente durante a peregrinação rumo a Terra Prometida, mesmo assim Ele se mostrou longânimo e beneficente (Nm. 14.18). A longanimidade do Senhor é motivo suficiente para que nos coloquemos na disposição do Espírito Santo, para que esse produza neles o Seu fruto. Se assim fizermos, não seremos consumidos pelas dissenções, antes seremos pacientes uns com os outros (I Ts. 5.14). Os ministros do evangelho precisam desenvolver essa virtude, para que sejam obreiros aprovados na Seara do Senhor (II Tm. 4.1-5).

CONCLUSÃO
A paciência está relacionada à tribulação, dificilmente alguém conseguirá essa virtude, sem passar pelo vale da sombra da morte. Na medida em que enfrentamos as adversidades, e as suportamos com longanimidade, aprenderemos a suportar intempéries ainda maiores. Na pedagogia de Deus, as provas são nos dadas no início da aula, para que possamos tirar as lições depois. Essas circunstâncias servem para formar em nós a paciência, para que sejamos aptos a continuar esperando no Senhor e a depender da Sua Soberana vontade.

BIBLIOGRAFIA
BARCLAY, W. As obras da carne e o fruto do Espírito. São Paulo: Vida Nova, 2000.
OLIVEIRA, A. G. Os frutos do Espírito. Rio de Janeiro: CPAD, 2004.