12 de janeiro de 2018

Lição 02

UMA SALVAÇÃO GRANDIOSA
Texto Áureo: Hb. 2.3 – Texto Bíblico: Hb. 2.1-18


INTRODUÇÃO
Os cristãos hebreus arriscavam-se, caso deixassem de atentar para a grandiosa salvação, providenciada por Deus. Por isso, conforme estudaremos na lição de hoje, fazia-se necessário persistir, mesmo diante do sofrimento, tendo Jesus como Expoente. Isso porque, através do Seu sacrifício, nos proveu a libertação, dando-nos, também, pelo Seu Espírito, a capacidade para vencer as provações.

1. UMA TÃO GRANDE SALVAÇÃO
A salvação que nos foi favorecida em Cristo é superior a atuação dos anjos, por isso não pode ser ignorada, ou mesmo esquecida. Essa “tão grande salvação” não foi trazida por intermédio dos anjos, como se acreditava ter ocorrido no judaísmo (Dt. 33.2; Gl. 3.19). A salvação tem relação direta com sua mensagem, não se trata, portanto, apenas de uma experiência subjetiva, distanciado do conteúdo bíblico. E essa mensagem foi declarada inicial pelo Senhor, e se encontra registrada nos Evangelhos, mas que também foi confirmada por aqueles que a ouviram, e pode ser conferida no texto neotestamentário. O testemunho desses é confirmado pelo próprio Deus, que se revelou nesses últimos dias através do Seu Filho (Hb. 1.1,2). Jesus é o Logos que se fez carne, e por esse motivo, nenhuma revelação pode ser comparada a Ele, pois nEle habita a plenitude da divindade, sendo Ele a Palavra Definitiva de Deus à humanidade (Jo. 1.1,14; Cl. 2.9). Por esse motivo, aqueles que se apartam dessa “grandiosa salvação” correm grave risco, pois se colocam debaixo da justa retribuição divina. Nesses tempos de lassidão evangélica, que não leva a sério a mensagem salvífica de Deus em Cristo, é preciso lembrar que há um juízo para aqueles que desconsideram o evangelho.

2. ALCANÇADA PELO SOFRIMENTO DE CRISTO
Conforme ressaltamos anteriormente, os anjos eram estimados naquela comunidade, por isso são abordados pelo autor, principalmente para ressaltar a supremacia de Cristo sobre eles. A fim de mostrar essa distinção e superioridade, o autor recorre a várias passagens do Antigo Testamento, que apontam para a autoridade de Cristo. Com base no Sl. 8, enfatiza não apenas que Jesus assumiu nossa humanidade, mas que também é o Homem Ideal, o projeto inicial de Deus (Hb. 2.9). E digno de destaque, para concretizar a salvação da humanidade, precisou adentrar pelo caminho do sofrimento (Hb. 2.10). Devemos atentar para essa condição, sobretudo nos dias atuais, nos quais os cristãos querem a glória, antes de carregarem a cruz. Aqueles que são discípulos de Jesus devem saber que existe uma cruz a ser carregada, e essa é uma demonstração de que nos identificamos com Ele (Mt. 16.24). O slogan evangélico “pare de sofrer” nada tem a ver com a mensagem genuinamente cristã. O próprio Cristo disse: “no mundo tereis aflições” (Jo. 16.33), e Paulo declarou que: “todos aqueles que piamente querem viver em Cristo Jesus padecerão perseguições” (II Tm. 3.12). O cristianismo sem sofrimento, que não admite uma cruz, é um cristianismo sem Cristo.

3. NOSSO LIBERTADOR
Uma das principais necessidades do homem é a de um Libertador, ainda que esse o busque onde não pode ser encontrado. Uma das maiores ilusões da filosofia moderna é a política, pois promete aquilo que não pode oferecer à humanidade. O grande mal que assola a sociedade é o pecado, com seu poder destrutivo, além de corromper os relacionamentos humanos, ainda distancia o pecador dAquele que o criou (Rm. 3.23). O salário desse é terrível, e o conduz à angústia extrema, por não saber como lidar com a morte (Rm. 6.23). Esta certamente era temida por alguns daqueles crentes hebreus, que estavam sendo perseguidos, e não sabiam o que lhes aconteceria, depois que a morte os alcançasse. Muitos cristãos, influenciados pela cultura moderna, também vivem assustados diante da morte, desconsiderando que essa é uma inimiga vencida no calvário (I Co. 15.54,55). Reconhecemos, no entanto, que essa vitória será consumada em sua plenitude no futuro, por ocasião da vinda de Jesus para ressuscitar e arrebatar os Seus (I Ts. 4.13-17). Enquanto esse dia não chega, devemos permanecer firmes nas promessas divinas, não podemos vacilar diante das perseguições. E temos motivos para perseverar, pois temos um Sacerdote que se idêntica com nossos sofrimentos, “sendo tentado, padeceu, pode socorrer aos que são tentados” (Hb. 2.18). A palavra peirazo, no grego do Novo Testamento, tanto pode significar “tentação” quanto “provação”. Nessa passagem, é mais apropriado considerar que Jesus foi provado, que sabe o que é ser testado, por isso se identifica com nossas dores.

CONCLUSÃO
Jesus é superior aos anjos, a mensagem por Ele anunciado, e confirmada pelos discípulos, é digna de crédito. Ela nos liberta dos medos, especialmente da morte, pois Ele é a ressurreição e a vida (Jo. 11.24,25). A grandiosa salvação que nos foi favorecida, através do sacrifício vicário de Cristo, é a garantia de que seremos alcançados por Sua misericórdia, sendo Ele nosso Sacerdote. E mais, nos dará forças para prosseguir, e sermos mais do que vencedores (Rm. 8.37).

BIBLIOGRAFIA
BROWN, R. The message of Hebrews. Downers Grove: IVP, 1982.
KISTEMAKER, S. Hebreus. São Paulo: Cultura Crista, 2003.

5 de janeiro de 2018

Lição 01

A CARTA AOS HEBREUS E A EXCELÊNCIA DE CRISTO
Texto Áureo: Hb. 1.1 – Texto Bíblico: Hb. 1.1-14


INTRODUÇÃO
Ao longo deste trimestre estudaremos uma das cartas mais cristocêntricas do Novo Testamento, aquela que foi destinada aos crentes helenistas hebreus. Na aula de hoje contextualizaremos essa que é um verdadeiro tratado a respeito da supramacia de Cristo. Destacaremos ainda, com base no Cap 1, a superioridade de Cristo sobre os anjos, considerando que esses tinham proeminência tanto na religiosidade judaica quanto no gnosticismo grego.

1. ASPECTOS CONTEXTUAIS
A Epístola aos Hebreus não revela o nome do seu autor, por causa disso há muitas controvérsias a respeito de quem a escreveu. Clemente de Alexandria, no final do Sec. II, atribuiu sua autoria ao apóstolo Paulo, afirmando que este a teria redigido em hebraico e Lucas a traduzido para o grego. No entanto, no período da Reforma Protestante esse ponto de vista foi revista, considerando que o texto não apresenta características de uma tradução, e por ser um grego de alto nível, semelhante ao da Septuaginta, assumiu-se que seu autor teria sido grego. Por causa disso, alguns estudiosos defenderam que Lucas teria sido o autor da Epístola aos Hebreus, o mais propriamente como acreditava Lutero, Apolo seria o autor da Carta, por causa da erudição, e profundo conhecimento do Antigo Testamento. O mais sensato, porém, é se posicionar com Orígenes que, ainda no Sec. III, reconheceu que “somente Deus sabe quem escreveu a Epístola aos Hebreus”. Essa Carta foi escrita, provavelmente de Roma, entre os anos 67 a 69, antes da destruição do Templo, que aconteceu no ano 70 d. C., com o propósito de animar uma comunidade de crentes hebreus helenistas, que estava desistindo da caminhada cristã, por causa das perseguições, e retornando à religiosidade judaica. Essa Carta os exorta a suportarem as perseguições, e manterem a fidelidade a Deus, apesar das adversidades. O objetivo desse tratado é mostra a superioridade de Cristo sobre os anjos, Moisés, Arão e a necessidade continuar firme, perseverando na fé, como fizeram os pais e profetas nos primórdios.

2. CRISTO, O ÁPICE DA REVELAÇÃO DIVINA
A Epístola aos Hebreus destaca, ainda em sua abertura, que Deus fala, não é um Deus que se distanciou, nem se calou. Ele é um Deus que se revela, por isso falou antigamente “muitas vezes” (gr. polymeros = em muitas porções) e “de muitas maneiras” (gr. polytropos = de muitos modos). De fato, o profeta falava a Palavra de Deus pelo Espírito Santo, que o impulsionava a declarar os oráculos de Deus (II Pe. 1.21). Vários pais receberam a revelação de Deus, dentre lês Adão, Abel, Enoque, Noé, Abraão, Isaque, Jacó, José e Moisés. Deus falou com Adão na “viração do dia” (Gn. 3.8); a Abraão, em visões e visitas (Tg. 2.23);a Jacó falou num sonho, e a Moisés, “face a face” (Ex. 33.11). A mensagem profética no Antigo Testamento é uma demonstração da revelação de Deus, que alcançou seu auge na pessoa de Jesus Cristo. Pois, “a nós falou-nos, nestes últimos dias, pelo Filho” (Hb. 1.1). A revelação de Deus foi progressiva, cujo expoente é o filho, “a quem constituiu herdeiro de tudo, por quem fez também o mundo” (Hb. 1.2). Essa progressão, no entanto, finda no próprio Cristo, pois ninguém pode acrescentar qualquer revelação canônica além dEle. Conforme está escrito em Jo. 1.1,14 Ele é o próprio Logos que se fez carne, e habitou no meio de nós, cheio de graça e de verdade. Toda a Escritura deve ser compreendida a partir de Cristo, Ele mesmo a explicou aos discípulos no caminho de Emaus que era o cerne das Escrituras (Lc. 24.27), sendo Ele a própria chave-hermenêutica das Escrituras.

3. CRISTO, SUPERIOR AOS ANJOS
Os hebreus tinham os anjos em grande consideração, havia quem defendesse que a Lei havia sido entregue a Moisés através deles. Posteriormente, a religiosidade helenista, expressa por meio do gnosticismo, adorava os anjos por considerarem seres mediadores. O autor da Epístola aos Hebreus explica que esses não passam de “espíritos ministradores, enviados para servir a favor daqueles que hão de herdar a salvação” (Hb. 1.14). Apelando para citações de textos do Antigo Testamento, argumenta que somente Cristo é o “resplendor da sua gloria, e a expressa imagem da sua pessoa, e sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, havendo feito por si mesmo a purificação dos nossos pecados, assentou-se à destra da Majestade, nas alturas” (Hb. 1.3). Nesse versículo, o termo grego character dá ideia de imagem própria de alguém, que expressa sua marca pessoal, por conseguinte, Cristo é a reprodução exata da divindade. Na verdade, Ele é o Deus, por somente esse pode ser adorado: “E quando outra vez introduz no mundo o Primogênito, diz: e todos os anjos de Deus o adorem” (Hb. 1.6). Sua divindade é expressamente reconhecida: “Mas, do Filho, diz: ó Deus, o teu trono subsiste pelos séculos dos séculos, cetro de equidade é o cetro do teu reino” (Hb. 1.8).

CONCLUSÃO
Cristo é a revelação definitiva de Deus, pois nEle “habita corporalmente toda a plenitude da divindade” (Cl. 2.9). Ele é a expressa imagem de Deus, de modo que nEle temos o conhecimento da vontade do Pai. Por esse motivo, não podemos sequer imaginar que os anjos sejam dignos de adoração, e que podemos ter qualquer revelação que se assemelhe, ou mesmo tenha a pretensão de colocar-se acima dEle.

BIBLIOGRAFIA
GUTHRIE, D. Hebreus: introdução e comentário. São Paulo: Vida Nova, 1983.

KISTEMAKER, S. Hebreus. São Paulo: Cultura Crista, 2003.