23 de março de 2017

Lição 13

UMA VIDA DE FRUTIFICAÇÃO
Leitura Bíblica: Jo. 15.2 – Texto Áureo: Jo. 15.1-6




Prof. Ev. José Roberto A. Barbosa
Twitter: @subsidioEBD


INTRODUÇÃO
Jesus declarou que Ele é a videira verdadeira, e que todo aquele que permanecer nEle dá muito fruto (Jo. 15.1,5). Na aula de hoje, a última deste trimestre, estudaremos sobre a importância de frutificar no Reino de Deus. Inicialmente trataremos sobre o caráter na vida do crente, em seguida, refletiremos sobre a função dos ramos na Videira, e ao final, mostraremos que frutificar é uma demonstração de que estamos em Cristo.  Aprenderemos, nesta lição, que a vida cristã deve se pautar pelo testemunho do Espírito, que produz em nós o caráter de Cristo.

1. A IMPORTÂNCIA DE FRUTIFICAR
A frutificação espiritual é uma necessidade, o crente precisa dar ao Espírito as condições para que o fruto seja produzido. João Batista advertiu seus ouvintes para que esses produzissem “frutos dignos de arrependimento” (Mt. 3.8). Nenhuma planta consegue se desenvolver em terreno árido, e quando essa conseguem crescer a contento, têm dificuldade para produzir frutos. Em Cristo recebemos uma nova natureza, e essa deve favorecer a produção de frutos espirituais em nossas vidas. A regeneração é o passo inicial para a produção frutífera na vida do cristão (Rm. 8.5-10). Existem pessoas bondosas na sociedade, a graça comum de Deus alcança a todos, mas somente aqueles que tiveram um encontro com Cristo produzirão em abundância. Evidentemente isso não é a mesma coisa que ser evangélico, pois há pessoas que professam a fé cristã, mas não se deixaram guiar pelo Espírito. A esse respeito, Paulo foi enfático em sua Epístola aos Gálatas: “Andais em Espírito e não cumprireis as concupiscências da carne” (Gl. 5.16). Isso precisa acontecer porque “a carne cobiça contra o Espírito, e o Espírito, contra a carne; e estes opõem-se um ao outro para que não façais o que quereis” (Gl. 5.17). A produção do fruto do Espírito em nossas vidas, portanto, passa pela negação do eu, pois os “que são de Cristo crucificaram a carne com as suas paixões e concupiscências” (Gl. 5.24). Aqueles que estão em Cristo são novas criaturas, as coisas velhas já passaram, tudo se fez novo (II Co. 5.17). Essa nova condição em Cristo, produzida pelo mesmo Espírito de Cristo, nos torna cada vez mais semelhantes a Ele.

2. A VIDEIRA E OS RAMOS NA FRUTIFICAÇÃO
Jesus se compara em Jo. 15.1-6 a uma Videira, e aqueles que O seguem são chamados de ramos. Dessa passagem bíblica podemos extrair algumas verdades espirituais, com vistas à produção de frutos para o Senhor. Todo ramo tem que dar fruto, para isso foram criados, se assim não fizer, estará distante do propósito natural. De igual modo, o crente deve frutificar, sob o risco de ser podado. Isso acontece, na maioria das vezes, porque o ramo está ausente de Cristo: “Se alguém não estiver em mim, será lançado fora, como a vara, e secará; e os colhem e lançam no fogo, e ardem” (Jo. 15.4-6). Permanecer em Cristo é condição sem a qual ninguém pode frutificar, existem muitos que frequentam igrejas, participam das suas atividades, mas não produzem frutos. Às vezes, o ato de ser podado, pode também ser terapêutico, pois o Agricultor Celestial limpa toda vara ou ramo que dá fruto, para que dê mais fruto (Jo. 15.2). As aflições do tempo presente podem ser o trabalhar de Deus em nossas vidas, a fim de que sejamos limpados das impurezas, e sejamos capazes de produzir ainda mais. O objetivo central de Deus em nossas vidas é a santificação: “Deus vos escolheu desde o princípio para a salvação, pela santificação do Espírito e fé na verdade” (II Ts. 2.13). É para isso que somos podados, pois conforme explica Tiago, a prova da nossa fé produz paciência, para que sejamos completos, em Cristo (Tg. 1.2-4). Há crentes que crescem, e produzem frutos em abundância, mas para que isso aconteça, precisam passar pelo cadinho de Deus. Mas é assim que demonstramos, de fato, que somos discípulos de Cristo, e que estamos sendo formados conforme a Sua imagem (Jo. 15.8).

3. A DEMONSTRAÇÃO DO FRUTO
O fruto do Espírito, como temos destacados reiteradamente, depende das condições para se produzido. Ao recorrermos à metáfora agrícola, poderíamos dizer que ele precisa ser cultivado, e essa se inicia com a regeneração, o novo nascimento (Jo. 3.3). Depois dessa decisão, o crente passa a desfrutar de comunhão com Deus, a andar com Cristo em sua vivência diária. Esse contato resulta alimenta para a árvore, que consegue frutificar em amor (Jo. 15.9,10). Aqueles que amam a Deus, e vivem integralmente para Ele, conseguem produzir frutos, e beneficiam também os seus irmãos, e até mesmo os seus inimigos. Jesus foi enfático ao afirmar que aqueles que o amam são os que guardam seus mandamentos (Jo. 14.21). E de fato, toda a Lei de Deus pode ser reduzida no amor, pois “quem ama aos outros cumpriu a lei” (Rm. 13.8), na verdade, “o cumprimento da lei é o amor” (Rm. 13.10). Como declarava Agostinho com muita propriedade: “amem a Deus e façam o que quiserem”. Evidentemente, aqueles que amam a Deus somente farão o que agradam ao Senhor. A produção do fruto do Espírito em nós é uma demonstração contundente de que estamos com Ele. Na medida em que permanecemos em Cristo, Ele produz em nós o Fruto do Espírito, e somos capazes de fazer a Sua vontade. Muitos crentes, alguns deles bastante legalistas, tentam agradar a Deus através dos seus esforços. Por meio da natureza carnal ninguém consegue fazer a vontade de Deus. É Deus em nós que opera nós, que faz com que, através da renúncia, e em Seu Espírito, sejamos obedientes (Fp. 2.13). Aplicando uma declaração do profeta Zacarias, “não é por força nem por violência, mas pelo meu Espírito” (Zc. 4.6).

CONCLUSÃO
No período natalino algumas pessoas montam suas árvores, e colocam como adorno vários frutos de plásticos, a fim de a embelezarem. Algumas dessas árvores são belas, e como se não bastasse, as pessoas as banham com luzes. Mas elas têm a maior limitação que se pode identificar em uma árvore, simplesmente não podem alimentar as pessoas. Há cristãos que não passam de árvores de Natal, investem demasiadamente no exterior, em detrimento do interior. Cristo é a Videira Verdadeira, nos somos os ramos, e devemos nEle e com Ele, por Seu Espírito, dar muitos frutos.

BIBLIOGRAFIA
OLIVEIRA, A. G. Os frutos do Espírito. Rio de Janeiro: CPAD, 2004.
OLIVEIRA, F. T. As obras da carne e o fruto do Espírito. São Paulo: Reflexão, 2016. 

16 de março de 2017

Lição 12

QUEM AMA CUMPRE PLENAMENTE A LEI DIVINA
Leitura Bíblica: Pv. 16.32 – Texto Áureo: I Jo. 2.17-17


Prof. Ev. José Roberto A. Barbosa
Twitter: @subsidioEBD


INTRODUÇÃO
Dando sequência aos estudos sobre o fruto do Espírito, na aula de hoje nos voltaremos para o amor, aquele aspecto que é propulsor de todas as virtudes espirituais. Na verdade, o amor-agape, expressão maior da fé cristã, e uma das virtudes capitais de I Co. 13, é a demonstração mais sublime do caráter cristão. Inicialmente, definiremos o amor cristão, em seguida mostraremos como ele é identificado, e ao final, ressaltaremos exemplos, com destaque para Jesus, como o Modelo do genuíno amor.

1. AMOR-AGAPE, A VIRTUDE DAS VIRTUDES
A vida cristã é um chamado para o amor, sem esse é impossível nos identificarmos com Jesus. Na verdade, é no amor que demonstramos que pertencemos a Ele, pois está escrito que o Mestre se dispôs a amar os Seus discípulos até o fim (Jo. 13.1). Por isso deixou a seguinte ordenança para Seus seguidores: “que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei” (Jo. 15.12). A palavra mais sublime no Novo Testamento Grego para amor é agape, com o significado de “amor desinteressado, profundo e constante”. Essa é a mesma palavra que encontramos em Jo. 3.16, por meio do qual sabemos que Deus amou o mundo de maneira tal que entregou Seu Filho Unigênito para morrer pelos que nEle creem”. João afirma, em I Jo. 4.19, que nós somente amamos a Deus porque Ele nos amou primeiro”. Mas existem outras palavras gregas para expressar o amor: philia – que carrega o sentido de amor fraternal, e eros – que emana dos sentidos naturais. O maior desses amores certamente é o AGAPE, por possuir uma dimensão vertical – em direção a Deus, horizontal – em direção ao próximo, e interior – em direção a nós mesmos. É importante que essas dimensões do amor-agape sejam consideradas, pois alguém que se fia demasiadamente no amor a Deus pode se tornar um fanático, o que busca apenas o amor ao próximo se torna um mero filantropo; e o amor somente a si mesmo, favorece ao egocentrismo. Por isso Jesus foi enfático ao ressaltar a natureza tríplice do amor-agape (Mc. 12.28-34; Mt. 22.34-40). A observância aos mandamentos de Cristo passa inclusive pelo amor, pois somente aqueles que O amam podem guardar Seus ensinos (Jo. 14.15).

2. A IDENTIFICAÇÃO ESPIRITUAL DO AMOR-AGAPE
O amor-agape é identificado com maior propriedade em I Co. 13, que ressalta esse como uma característica da vida genuinamente cristã. Nesse texto Paulo também faz um contraponto entre o amor-agape e os dons espirituais,  abordados nos capítulos 12 e 13. Nada há de errado em buscar os dons espirituais, mas é preciso que esse esteja em consonância com o amor-agape (I Co. 14.1). A partir desse texto depreendemos que o amor é sofredor – que se sacrifica pelo outro; é benigno – demonstrado através de ações; não é invejoso – não se ressente com o sucesso dos outros; não trata com leviandade, não se ensoberbece – não se coloca acima dos demais; não se porta com indecência – não destrata as pessoas, principalmente em público; e não busca seus interesses -  mostra disposição para o serviço; não se irrita – não se chateia com as pessoas; não suspeita mal – não guarda rancor das pessoas; não folga com a injustiça – antes se deleita com a verdade. Paulo concluiu esse trecho da sua Epístola assegurando que “permanecem a fé, a esperança e o amor, estres três; porém, o maior deste é o amor” (I Co. 13.13). É interessante observar que os cristãos geralmente se lembram de Jo. 3.16, mas poucos guardam na memória I Jo. 3.16, que diz: Conhecemos o amor nisto: que Jesus Cristo deu a sua vida por nós, e nós devemos dar a vida pelos irmãos.

3. EXEMPLOS PARA O VIVER NO AMOR-AGAPE
Existem vários exemplos bíblicos de amor-agape, certamente o mais emblemático entre eles é o de Jesus, que amou Seus discípulos, e entregou a Sua vida pelos pecadores. Ele é a expressão maior do amor divino, na verdade, Deus prova Seu amor para conosco pelo fato de Cristo ter morrido por nós, sendo nós ainda pecadores (Rm. 5.8). Entre aqueles que serviram ao Senhor no primeiro século, muitos se destacaram na manifestação do genuíno amor. Os cristãos de Colossos desenvolveram essa virtude do fruto do Espírito, pelo qual foram elogiados por Paulo (Cl. 1.3-8). A Igreja de Éfeso também era amorosa, tendo recebido com cuidado o Apóstolo Paulo (At. 20.20-31), ainda que, em Ap. 2.4, são advertidos pelo Senhor, por terem esquecido o primeiro amor. Uma igreja é realmente promissora quando cresce no amor-agape, o restante é apenas adereço, e não pode ser supervalorizado. Cada discípulo de Jesus deve cultivar o amor-agape, como fez João que ficou reconhecido como o discípulo do amor (Jo. 19.25,26). Antes de partir, Jesus também desafiou Pedro, como um daqueles que seriam colunas da igreja, para que amasse a Cristo, bem como as Suas ovelhas (Jo. 21.15-17). O amor-agape é um critério fundamental para aqueles que desejam servir no ministério cristão. Muitos líderes foram reprovados nesse particular, pois amam mais o presente século do que a Cristo, e as ovelhas servem apenas para que delas tirem proveito. Jesus é o exemplo de Pastor, que conhece cada uma das Suas ovelhas, e que se sacrifica por elas, e lhes mostra o caminho correto (Jo. 10.1). Cada cristão deve estar disposto a se entregar a Deus, e a servir o próximo em amor, somente assim mostraremos que somos dEle. 

CONCLUSÃO
Muitos querem ser identificados como seguidores de Jesus, mas somente aqueles que O servem em amor podem assim serem vistos. Em Jo. 13.35 o próprio Cristo afirma que somente podem ser classificados como seguidores dEle aqueles que O seguem em amor. A verdade evangélica, comumente defendida com muita veemência em alguns arraiais, especialmente os televisivos, deve ser mostrada em amor e mansidão (I Pe. 3.15). É assim que o nome de Jesus é glorificado, e a Igreja é vista como instrumento de graça, e alcança o mundo distanciado de Deus (At. 2.47).  

BIBLIOGRAFIA
OLIVEIRA, A. G. Os frutos do Espírito. Rio de Janeiro: CPAD, 2004.
OLIVEIRA, F. T. As obras da carne e o fruto do Espírito. São Paulo: Reflexão, 2016. 

9 de março de 2017

Lição 11

VIVENDO DE FORMA MODERADA
Leitura Bíblica: Pv. 16.32 – Texto Áureo: I Jo. 2.17-17



Prof. Ev. José Roberto A. Barbosa
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INTRODUÇÃO
Dando prosseguimento ao estudo das obras da carne e do fruto do Espírito, estudaremos na aula de hoje a prostituição e a glutonaria, opondo a essas a moderação ou o domínio próprio, que é a própria temperança, pois se trata de uma demonstração de equilíbrio espiritual, produzido pelo Espírito Santo. Inicialmente abordaremos essas duas obras da carne, em seguida, mostraremos a necessidade de cultivar o domínio próprio, ou melhor, o domínio que vem de Deus, para não vir a perder o controle espiritual. Ao final, defenderemos que fomos chamados para a santidade, e que essa deve ser buscada integralmente: corpo, alma e espírito (I Ts. 5.23).

1. A PROSTITUIÇÃO E A GLUTONARIA
O vocábulo prostituição, no grego do novo testamento, é porneia e seria melhor traduzido como “imoralidade sexual”. A sexualidade humana é uma dádiva de Deus, e deve ser desfrutada dentro do casamento (Gn. 2.24; Hb. 13.4). O homem caído, por causa da sua natureza pecaminosa, deturpa a sexualidade. Vivemos em uma cultura sexualizada, de modo que tudo gira em torno do sexo. A mídia favoreceu essa explosão, principalmente no que tange à pornografia. A facilidade de acesso a vídeos dessa natureza, e aos sites de relacionamentos, tem contribuído consideravelmente para os casos de fornicação e adultério. Mas essas práticas pecaminosas não são recentes, Paulo teve sérios problemas a esse respeito na igreja de Corinto (I Co. 5.1). O Apóstolo orientou para que os pecados sexuais fossem disciplinados, a fim de que o transgressor se arrependesse, e se voltasse para Deus (I Co. 5.6-8). Ele foi bastante enfático, advertindo aos crentes de Corinto para que fugissem da prostituição (I Co. 6.13). Além da prostituição, os crentes são orientados por Paulo para que não se entreguem à glutonaria. A palavra grega para esse pecado é truphe ou gaster e está relacionada a uma série de práticas. Algumas pessoas estão literalmente “morrendo pela boca”, pois se entregam dissolutamente ao pecado da gula. Não é pecado se alimentar bem, mas é preciso ter cuidado, pois o corpo é templo e morado do Espírito Santo (I Co. 6.19). É preciso ser moderado na escolha dos alimentos, o excesso de sal e açúcar, por exemplo, pode causar danos à saúde, a curto, médio ou longo prazo. A alimentação saudável deve ser equilibrada, priorizando frutas e verduras, e evitando gorduras.

2. CULTIVANDO O DOMÍNIO PRÓPRIO
Os crentes foram salvos para viver de forma moderada, desenvolvendo a virtude da temperança (Gl. 5.21). O termo grego para esse aspecto do fruto do Espírito é engkrateia, que aparece na forma substantivada somente em três passagens: Gl. 5.22, At. 24.25 e II Pe. 1.6. Em todos esses textos fica evidente o sentido de domínio sobre o eu. Como um atleta que disciplina seu corpo, a fim de chegar ao propósito desejado, também os crentes devem fazê-lo, para alcançarem o prêmio espiritual (I Co. 9.24,25). Esse tipo de autocontrole tem relação direta com os pecados sexuais, bem como a moderação no comer e no beber. A vontade de Deus é que o crente tenha uma vida equilibrada, que não se deixar dominar pelos excessos. Isso começa pelo controle da língua, para que não venhamos a tropeçar em palavras (Tg. 3.2). Os impulsos sexuais também devem ser freados, aqueles que são casados devem fugir do adultério, e os solteiros da fornicação. Paulo esclarece aos crentes coríntios que é melhor casar que abrasar-se (I Co. 7.9), os jovens devem fugir das tentações sexuais, e não se entregarem aos desejos da mocidade (II Tm. 2.22). Jesus nos deixou o exemplo de vida moderada, controlada e equilibrada no Espírito, pois sendo tentado em tudo, não pecou (Hb. 4.15). A liderança espiritual deve seguir esse modelo, considerando que o pastor deve ser temperado (I Tm. 3.1,2), santo e equilibrado (Tt. 1.7.8). O domínio próprio é um processo, e se inicia com pequenas atitudes, que serão aprimoradas ao longo da vida cristã. Conforme defende um determinado grupo, é preciso evitar o contato inicial com o pecado, e lutar diariamente contra a tentação, sem nunca desistir.

3. ANDANDO EM SANTIDADE
Para andar em santidade, não há outra saída, senão andar com Cristo, e ser cheio do Espírito (Ef. 5.18). A vontade de Deus é nossa santificação (I Ts. 4.3-8), Ele espera que tenhamos uma vida totalmente consagrada. Essa é uma disciplina cristã, que começa pelo controle da mente (Fp. 4.8). Muitos cristãos permitem que suas mentes vagueiem por lugares perigosos, que acaba por distanciá-los da vida piedosa. O autor da Epístola aos Hebreus destaca que devemos buscar a santificação, sem a qual ninguém poderá ver a Deus (Hb. 12.14). O cristianismo, ao contrário do que defendem alguns críticos, não nega a dimensão física, muito pelo contrário, concebe o valor do corpo. Mas é preciso que esse seja utilizado com responsabilidade, para glória de Deus, e preservação da própria vida. De modo que, conforme adverte Paulo, “cada um de vós saiba possuir o seu vaso em santificação e honra” (I Ts. 4.4). Uma vertente da filosofia helenista negava o corpo, e defendia que esse poderia ser desgastado, pois Deus valorizava apenas a parte espiritual. Essa perspectiva nada tem de bíblica, é contrária ao plano de Deus para o corpo, que tem seu devido valor, inclusive no ato da ressurreição (I Co. 15.22,23). Por desconsiderarem o valor do corpo muitas pessoas estão sofrendo com enfermidades, e tantas outras atraindo problemas sobre elas mesmas, por causa da falta de moderação. A esse respeito adverte Paulo: "os que são segundo a carne inclinam-se para as coisas da carne; mas os que são segundo o Espírito, para as coisas do Espírito". E mais, “a inclinação da carne é inimizade contra Deus, pois não é sujeita à lei de Deus, nem, em verdade, o pode ser” (Rm. 8.5.-8).

CONCLUSÃO
A vontade de Deus é que vivamos em santidade, sem nos deixar controlar pelos desequilíbrios carnais. Aqueles que alimentam a natureza pecaminosa, e se entregam dissolutamente aos prazeres pecaminosos, trarão sobre eles mesmo consequências drásticas. A santificação é o plano de Deus para nosso próprio bem, a fim de que venhamos a desfrutar da boa, agradável e perfeita vontade de Deus. As advertências de Deus, para que fujamos do pecado, é com vistas à maturidade espiritual, para que desfrutemos de uma vida saudável, na presença do Senhor.

BIBLIOGRAFIA
OLIVEIRA, A. G. Os frutos do Espírito. Rio de Janeiro: CPAD, 2004.
OLIVEIRA, F. T. As obras da carne e o fruto do Espírito. São Paulo: Reflexão, 2016. 

2 de março de 2017

Lição 10

MANSIDÃO
TORNA O CRENTE APTO PARA EVITAR PELEJAS
Leitura Bíblica: Ef. 4.1,2 – Texto Áureo: Ef. 4.1-7




Prof. Ev. José Roberto A. Barbosa
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INTRODUÇÃO
Dando prosseguimento ao estudo do Fruto do Espírito, e em comparação com as obras da carne, nos voltaremos na aula de hoje para a mansidão, a fim de evitar as pelejas. Nestas redunda a causa das discórdias, dentro e fora da igreja local. Inicialmente, destacaremos as consequência das pelejas. Em seguida, refletiremos a respeito do cultivo da mansidão enquanto aspecto do fruto do Espírito. Ao final, daremos orientações e exemplos para o desenvolvimento da mansidão na vida cristão.

1. PELEJAS, SUAS CONSEQUÊNCIAS 
As discórdias e pelejas são características de pessoas que vivem debaixo da égide das obras da carne. A palavra grega para as discórdias é eritheiai, termo que também é utilizado para descrever desavenças. Caracteriza-se também por um desejo de colocar-se sobe os demais, através de um sentimento partidário e faccioso, demonstrando rancor. A esse respeito Tiago destaca que a sabedoria terrena que se opõe à sabedoria do alto é da natureza humana e diabólica, e essa se manifesta por meio da inveja (Tg. 3.14,15). Existem muitas pelejas na sociedade contemporânea, as pessoas estão se tornando cada vez mais competitivas, a meritocracia nem sempre funciona, e os mais fracos não têm vez. Até mesmo dentro das igrejas as pelejas prevalecem, como já acontecia nos tempos de Paulo. Há quem esteja disputando apenas cargos eclesiásticos, muitas coisas estão mudando nas comunidades de fé, não apenas os usos e costumes. A ganância foi institucionalizada, a politicagem foi assumida naturalmente, os obreiros perderam a simplicidade. Paulo denunciou esse tipo de comportamento entre os “obreiros” da sua época. Alguns deles pregavam a Cristo por “eritheias”, apenas por interesse pessoal. A política eclesiástica está maculando a imagem dos discípulos de Cristo, isso porque as discórdias e pelejas, manifestação de carnalidade, é uma chaga que corrói a unidade da igreja. Evidentemente existe espaço para a discórdia, e até mesmo para o debate, mas não para o desrespeito e a corrupção. As pessoas nas igrejas estão cada vez mais afeitas aos cargos, principalmente se deles puderem tirar proveito financeiro. Poucas querem realmente ser servos e servas, e se gastarem para a expansão do reino de Deus (II Co. 12.15).

2. CULTIVANDO A MANSIDÃO DO ESPÍRITO
A palavra mansidão no grego no Novo Testamento é praotes, e diz respeito à pessoa que se submete à vontade de Deus. A esse respeito o próprio Jesus dá testemunho: “Tomais sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para a vossa alma” (Mt. 11.29). Essa virtude também tem a ver com disponibilidade para aprender, de tal modo que aqueles que assim procedem, recebem “com mansidão a palavra em vós enxertada, a qual pode salvar a vossa alma” (Tg. 1.21). Os crentes devem cultivar essa virtude do fruto do Espírito, considerando que “se alguém chegar a ser surpreendido nalguma ofensa, vós, que sois espirituais, encaminhai o tal com espírito de mansidão, olhando por ti mesmo, para que não sejas também tentado” (Gl. 6.1). A partir do exemplo de Jesus, depreendemos que a mansidão não se trata de aceitação passiva do engano, pois o próprio Senhor foi contundente ao contrariar o erro (Jo. 2.13-16). Paulo também foi enfático ao declarar que podemos até nos irar contra as coisas erradas, mas não podemos permitir que sejamos conduzidos pelo ódio (Ef. 4.26). A mansidão é uma virtude que se manifesta na disposição para aceitar os desígnios de Deus, foi o que Jesus fez quando aceitou a cruz do calvário, e entregou a Sua vida como um cordeiro (Mt. 27.14). Aqueles que são mansos agem com benignidade (II Co. 10.1), são humildes diante do semelhante (Ef. 4.2), e demonstram sabedoria (Tg. 3.13), sobretudo diante das perseguições (I Pe. 3.1-6). Por isso, ao invés de revidar, ou tratar “na mesma moeda”, devemos aceitar o dano, e perdoar até mesmo aqueles que nos perseguem (Mt. 5.43,44).

3. VIVENDO EM MANSIDÃO
Há vários exemplos bíblicos de pessoas que foram guiadas por Deus para viverem em mansidão. Abraão talvez seja o mais destacado, pois decidiu não pelejar contra seu sobrinho Ló, antes decidiu perder, sabendo que poderia ganhar mais com Deus (Gn. 13.8,9). Por ter aprendido com seu pai Abraão, Isaque também não quis contender com seus inimigos. Ele preferiu não disputar os poços, ainda que saísse no prejuízo (Gn. 26.20-26), justamente por isso recebeu a benção do Senhor (Gn. 26.24). Moisés é outro exemplo de mansidão, reconhecido no texto bíblico como um “varão mui manso, mais do que todos os homens que havia sobre a terra” (Nm. 12.3). Paulo é um exemplo de mansidão, tendo em vista que aprendeu, através de um espinho na carne, a depender de Deus e da Sua graça, mesmo em tempos difíceis (II Co. 12.7). Espera-se dos pastores que ajam de igual modo, que não sejam rancorosos, que não incitem a contenda, que não se entreguem às pelejas. Antes que sejam “mansos para com todos, apto para ensinar, sofredor; instruindo com mansidão os que resistem, a ver se, porventura, Deus lhes dará arrependimento para conhecerem a verdade” (II Tm. 2.23-25). A abordagem predominante na sociedade, inclusive no ministério eclesiástico, é a de que as pessoas devem ser fortes. E se possível, devem se sobrepor às demais, justificando pelos seus méritos. Mas no reino de Deus deve ser diferente, os mais fortes são os mais fracos, são aqueles que aprenderam a depender de Deus, que não se impõem sobre os outros. Esse cristianismo moderno, fabricados pelas filosofias contemporâneas, distanciado das Escrituras, nada tem de cristão. As pelejas não podem ser naturalizadas, elas precisam ser combatidas, antes que envergonhem o evangelho.

CONCLUSÃO
O salmista declara que “os mansos herdarão a terra e se deleitarão na abundância de paz” (Sl. 37.11), e Jesus reforça que “os mansos herdarão a terra”, se referindo àqueles que são súditos do Reino de Deus. Precisamos cultivar urgentemente essa virtude do Fruto do Espírito, antes que venhamos a nos engolir uns aos outros (Gl. 5.15). A espiritualidade de uma igreja local é medida pela disposição de conviver com os diferentes, e de se aceitarem mutuamente no amor de Jesus Cristo. 

BIBLIOGRAFIA
OLIVEIRA, A. G. Os frutos do Espírito. Rio de Janeiro: CPAD, 2004.
OLIVEIRA, F. T. As obras da carne e o fruto do Espírito. São Paulo: Reflexão, 2016. 

22 de fevereiro de 2017

Lição 09

FIDELIDADE, FIRMES NA FÉ
Leitura Bíblica: II Tm. 2.13 – Texto Áureo: Hb. 10.35-39

 
Prof. Ev. José Roberto A. Barbosa
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INTRODUÇÃO
Na aula de hoje daremos continuidade aos estudos sobre o Fruto do Espírito e as obras da carne. Desta feita, nos voltaremos para a fidelidade, uma virtude necessária a todo cristão, sobretudo nos momentos de adversidade. Estudaremos também a idolatria e as heresias, enquanto obras da carne, que distanciam as pessoas de Deus. Inicialmente destacaremos a condição idólatra do ser humano caído, em seguida, enfocaremos a fidelidade, como uma convicção alicerçada na Palavra de Deus, e gerada em nós pelo Espírito Santo.

1. O PERIGO DA IDOLATRIA E HERESIAS
A palavra idolatria, no grego do Novo Testamento, é eidololatria e tem a ver ao culto direcionado aos ídolos. O ser humano caído é propenso a se prostrar perante deuses falsos, quando não transforma a si mesmo em um deus, como quiseram fazer Adão e Eva no Éden. Está na natureza pecaminosa querer se colocar acima de Deus, bem como materializar sua adoração através de objetos. Até mesmo os israelitas, que receberam a revelação do Senhor, e deveriam se conduzir pela Torah, foram tentados a se prostrar perante deuses fabricados (I Sm. 12.21; Sl. 115.4). Ainda nos tempos de Moisés, quando este subiu ao Sinal, para receber o decálogo, o povo construiu um bezerro de ouro para adorar (Ex. 31.1-18). A política dos homens também se aproveita da idolatria do povo, nos tempos Jeroboão foi construído um sistema religioso, a fim de institucionalizar a idolatria em Israel (I Rs. 12.26-33). No Novo Testamento Paulo se deparou com essa prática religiosa, ele mesmo foi confundido com um dos deuses do panteão, sendo chamado de Mercúrio (At. 14.11-13). Ao passar por Atenas, o Apóstolo ficou impressionado com a quantidade de deuses, principalmente com a religiosidade idólatra das pessoas daquele lugar (At. 17.23). A idolatria é um tipo de heresia, se essa for considerada uma rejeição voluntária da fé, e pode também ser encontrada nos arraiais evangélicos. É bastante comum encontrar adeptos do movimento gospel adorando celebridades, e se prostrando perante supostos pregadores e cantores. As heresias estão se espalhando em algumas agremiações religiosas, algumas delas se dizem evangélicas, mas não passam de sincretismo religioso. Nos movimentos pseudopentecostais, o deus da ganância está sendo adorado, a espiritualidade é mensurada pelos recursos financeiros que alguém dispõe. Isso também é uma heresia, e se manifesta na forma de idolatria, por isso deve ser rechaçada.

2. DEMONSTRANDO FIDELIDADE A DEUS
Devemos ser fieis a Deus, mesmo que as situações não sejam favoráveis, ainda que Ele nos mate, como declarou Jó (Jó. 13.15). Nas palavras poético-proféticas de Habacuque, “ainda que a figueira não floresça” (Hc. 3.17). Essa é uma virtude do Fruto do Espírito, e diz respeito a demonstração de firmeza diante de Deus, mesmo em momentos de adversidades, sobretudo em tempos de perseguição e provação. A palavra grega é pistis, que dependendo do contexto, pode se referir à fé salvífica (Ef. 2.8,9), como crença (At. 6.7), bem como ao dom da fé (I Co. 12.9). Ainda que algumas versões traduzam essa virtude do fruto do Espírito como “fé” o mais apropriado é verter como “fidelidade”, para diferenciar de outros usos desse termo, considerando os diversos contextos em que ocorrem. A fidelidade é uma manifestação de convicção fundamentada na Palavra de Deus (Rm. 10.7). A atuação da fé na vida dos crentes é um dos temas centrais do autor da Epístola aos Hebreus, a fim de consolidar a firmeza dos crentes em meio à perseguição. Para esse autor, a fé é firme fundamento das coisas que se esperam, mas que não podem ser vistas (Hb. 11.1). E mais, sem esse tipo de fidelidade, é impossível agradar a Deus (Hb. 11.6). Deus é o maior exemplo de fidelidade, de modo que podemos reter “firmes a confissão da nossa esperança, porque fiel é o que prometeu” (Hb. 10.23). Esse é o fundamento da nossa bendita esperança, temos a convicção que Deus fará tudo o que prometeu. Por esse motivo, podemos seguir adiante, sem temer os percalços existenciais, sem perder o foco. Quando o Espírito produz essa virtude em nós, somos impulsionados a prosseguir, esquecendo as coisas que para tras ficam, seguirmos rumo ao prêmio da soberana vocação, que se encontra em Cristo Jesus (Fp. 3.13-14). Ainda que os dias sejam difíceis, sabemos que as aflições do tempo presente não se comparam com a glória que em nós haverá de ser revelada (Rm. 8.18).

3. INSPIRANDO-SE NOS EXEMPLOS BÍBLICOS
O autor da Epístola aos Hebreus diz que pela fidelidade “os antigos alcançaram testemunho” (Hb. 11.2). No capítulo 11 dessa Epístola o autor discorre sobre uma nuvem grande testemunhas, que nos motivam a permanecer fiéis, para que não venhamos desperdiçar tão grande salvação (Hb. 2.1-3). Devemos nos inspirar nos exemplos de José, destacado homem de Deus, que se mostrou fiel, mesmo em tempos difíceis (Gn. 37-38), bem como no de Daniel, o servo do Senhor que, mesmo em terras estranhas, não fez concessões em relação a sua fé (Dn. 6). Os apóstolos do Novo Testamento também deixaram um legado de fidelidade para os crentes contemporâneos, que foram ousados diante das ameaças das autoridades religiosas e políticas do seu tempo (At. 4.18-20). A galeria dos heróis da fé de Hb. 11 deve servir de inspiração, de modo que “nós também, pois, que estamos rodeados de uma tão grande nuvem de testemunhas, deixemos todo embaraço e o pecado que tão de perto nos rodeia e corramos, com paciência, a carreira que nos está proposta” (Hb. 12.1). A fidelidade a Deus não deve depender das circunstâncias, é possível que como Jó venhamos a murmurar diante da dor, mas sabemos que o Senhor está no comando das situações. Como diz o hino sacro, “serei fiel, precioso Jesus, serei fiel”, mas para que isso venha a acontecer, devemos nos deixar guiar pelo Espírito Santo. É com Ele que seremos capazes de enfrentar as intempéries da vida, de modo que não venhamos a desfalecer, ainda que nossas forças sejam poucas. Somente nEle podemos todas as coisas, seja nos momentos de abundância ou escassez, seja nas horas de alegria ou de tristeza (Fp. 4.13).

CONCLUSÃO
A fidelidade a Deus é condição necessária para que possamos agradá-LO, mas essa somente é produzida ao longo da experiência, resultante das adversidades enfrentadas na vivência cristã. É assim que o Espírito trabalha em nós produzindo essa virtude, que se manifesta não apenas em relação a Deus, mas também ao próximo. É isso que Deus requer de nós, que sejamos despenseiros fieis (I Co. 4.2), e assim nos manteremos distantes dos ídolos, e das heresias, que tendem a nos afastar do verdadeiro Deus.

BIBLIOGRAFIA
OLIVEIRA, A. G. Os frutos do Espírito. Rio de Janeiro: CPAD, 2004.
OLIVEIRA, F. T. As obras da carne e o fruto do Espírito. São Paulo: Reflexão, 2016. 

15 de fevereiro de 2017

Lição 08

BONDADE QUE CONFERE VIDA
Leitura Bíblica: I Jo. 3.15 – Texto Áureo: Mt. 5.20-26



Prof. Ev. José Roberto A. Barbosa
Twitter: @subsidioEBD


INTRODUÇÃO
Na aula de hoje estudaremos a bondade, veremos inicialmente que essa está diretamente relacionada à benignidade. Em seguida, destacaremos as características dessa virtude do fruto do Espírito. Compararemos também a bondade com o homicídio, enquanto obra da carne, que destrói a vida. Em um no qual predomina a cultura da morte, devemos levar a vida através da bondade, tendo Cristo como o maior exemplo, ainda que não sejamos correspondidos.

1. BENIGNIDADE E BONDADE
Há quem assuma que benignidade (gr. chrestotes) e bondade (gr. Agathosune) sejam virtudes gêmeas do fruto do Espírito. Essa compreensão é justificada porque se pressupõe bondade da benignidade. As pessoas que agem de maneira bondosa assim o fazem porque são conduzidas pelo Espírito, que produz nelas a benignidade. A palavra grega para bondade se encontra apenas quatro vezes no Novo Testamento, especificamente nos escritos paulinos (Rm. 15.14; Gl. 5.22; Ef. 5.9 e II Ts. 1.11). Nos contextos nos quais esse termo se encontra, está relacionado ao serviço cristão, ao exercício da generosidade. Estamos vivendo em um contexto materialista e consumista, no qual as pessoas não querem perder aquilo que possuem. O desprendimento é uma virtude cada vez mais escassa, o individualismo está degenerando a sociedade. Não podemos esquecer que fomos chamados para o amor (gr. agape), que deve ser demonstrando tanto a Deus quanto ao próximo (Mc. 12.29-31). Jesus é o maior exemplo de serviço, Ele mesmo assumiu que veio para servir, e não para ser servido (Mc. 10.45). Mesmo sendo Deus, não teve por usurpação o ser igual a Deus, tomando a forma de servo (Fp. 2.9). Deu exemplo ao lavar os pés dos discípulos, quando esses debatiam a respeito de quem seria o maior (Jo. 13). A igreja cristã deve ter a generosidade como prática constante. A esse respeito Paulo elogiou as igrejas da macedônia, pois aqueles irmãos, “em muita prova de tribulação, houve abundancia do seu gozo, e como a sua profunda pobreza superanbundou em riquezas da sua generosidade. Porque, segundo seu poder e ainda acima do seu poder, deram voluntariamente” (II Co. 8.2,3). Os cristãos de Jerusalém tinham tudo em comum, e não haviam necessitados entre eles, por causa do exercício da koinonia (At. 4.34,35).

2. CONTRA A CULTURA DA MORTE
A bondade é uma virtude que se opõe diretamente à cultura da morte, ao homicídio que é uma obra da carne. Desde o princípio o Senhor havia estabelecido como Lei para o povo de Israel o “Não matarás” (Ex. 20.13), que na verdade, o termo hebraico rasah seria melhor traduzido por “Não cometerás assassinato”. Ao reinterpretar essa palavra, Jesus destacou que há pessoas que atentam umas contra as vidas das outras, não apenas através de objetos que as firam fisicamente, mas também moralmente e espiritualmente, através das palavras (Mt. 5.21,22). Seguindo essa orientação do Mestre, o apóstolo João assume que aqueles que aborrecem seus irmãos estão agindo como homicidas (I Jo. 3.15). Não podemos incitar a cultura do assassinato, existe nos dias atuais uma tendência a favorecer tudo o que é destrutivo. As pessoas se alimentam de práticas mortíferas, elas fazem sucesso nos cinemas e nos jogos eletrônicos. Os cristãos costumam ser criticados porque se posicionam pela vida, sendo contrários ao aborto e a eutanásia, inclusive a pena de morte. Existe violência demais neste mundo, e quanto mais ela for incitada, um tanto pior. As pessoas estão se consumindo, a destruição começa pela ganância, o ódio predomina, ao invés do amor. Devemos ter como fundamento a generosidade de Deus em relação a nós, e nos envolvermos em uma revolução amorosa. De modo que se alguém nos insultar, devemos responder com amor, e não “na mesma moeda”, contrariando a justiça dos homens. Essa é uma atitude que exige renúncia dos seguidores de Cristo, considerando que Ele mesmo deixou o exemplo, ao perdoar seus algozes na cruz. Ele não retribui de acordo com as iniquidades, se assim fizesse todos nós seríamos condenados. Por isso Paulo é categórico ao afirmar que “Ele nos amou sendo nós ainda pecadores” (Rm. 5.8; 12.19-21).

3. PELA PRESERVAÇÃO DA VIDA
Como cristãos devemos propagar a cultura da vida, pois Jesus é a Vida, nEle desfrutamos (Jo. 11.25; 14.6). E por que Ele é a vida, tendo Ele mesmo entregue Sua vida por nós, não podemos difundir a violência. Essa revolução passa pela disposição para perdoar, trata-se de uma condição que somente pode assumir aqueles que foram alcançados pela graça divina. Não devemos incitar à vingança, muito menos a práticas injustas, antes ao amor. É comum os cristãos se oporem ao aborto e a eutanásia, mas são favoráveis à pena de morte. Devemos defender a vida em todas as circunstâncias, pois não nos compete punir com a morte quem quer que seja. Devemos também ampliar nosso horizonte, e perceber que existem pessoas sendo mortas nos hospitais, por falta de assistência médica de qualidade. A violência predomina nas ruas porque os governantes não cumprem o papel que deveriam. Alguns políticos, ainda que indiretamente, estão fomentando a violência, na medida em que tratam com descaso a pobreza e a miséria. A defesa da vida passa por muitos lugares, inclusive por nós mesmos, e não apenas pelas nossas opiniões, mas também pelas ações. Os cristãos que são contra o aborto também deveriam defender a existência de órgãos públicos (ou mesmo religiosos) que recebam crianças de mães que não têm condições de criar seus filhos. Apenas criticar, ou até mesmo criminalizar, não resolve a situações do aborto. Ele vai continuar existindo clandestinamente, precisamos defender a vida sempre, mas criar alternativas viáveis para assistir as mães que engravidaram, mas não podem criar seus filhos.

CONCLUSÃO
Tratar na mesma moeda não resolve, a esse respeito é importante lembrar: “Não vos vingueis a vós mesmos, amados, mas dai lugar à ira, porque está escrito: Minha é a vingança; eu recompensarei, diz o Senhor. Portanto, se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer; se tiver sede, dá-lhe de beber; porque, fazendo isto, amontoarás brasas de fogo sobre a sua cabeça. Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem” (Rm. 12.19-21). Esse procedimento faz toda diferença na sociedade contemporânea, como cristãos não devemos nos opor ao trabalho da justiça, mas temos a opção pessoal de responder com bondade, ao invés do ódio e da vingança.

BIBLIOGRAFIA
BARCLAY, W. As obras da carne e o fruto do Espírito. São Paulo: Vida Nova, 2000.
KELLER, W. P. Frutos do Espirito. Venda Nova: Betânia, 1981.


9 de fevereiro de 2017

Lição 07

BENIGNIDADE
UM ESCUDO PROTETOR CONTRA AS PORFIAS
Leitura Bíblica: Rm. Ef. 4.32 – Texto Áureo: Cl. 3.12-17



Prof. Ev. José Roberto A. Barbosa
Twitter: @subsidioEBD


INTRODUÇÃO
Em continuidade ao estudo das obras da carne e do fruto do Espírito, nos dedicaremos na aula de hoje para a benignidade, que nos protege contra as porfias. Inicialmente destacaremos que essa é uma tendência pecaminosa que incita à discórdia, e à ruptura nos relacionamentos pessoais. Como alternativa à porfia, devemos cultivar a benignidade, que é propriamente, um sentimento amável em relação aos outros. Essa é uma virtude do fruto do Espírito que precisa ser cultivada, caso contrário, estragaremos nossos relacionamentos interpessoais.

1. AS SETAS DA PORFIA
Porfia, no Novo Testamento Grego, é eithia ou eritheia, que poderia muito bem ser traduzida por “ambição, egoísmo ou rivalidade”. Existem pessoas que estão entregues a esse tipo de sentimento, sobretudo por causa da inveja que incita a esse pecado. Essa palavra se deriva de erithos, cuja relação imediata é com “aquelas pessoas que fazem qualquer coisa por dinheiro”. Não podemos esquecer que o amor ao dinheiro, como bem ressaltou Paulo ao pastor Timóteo, é a raiz de todos os males (I Tm. 6.9,10). Há muitas pessoas que não conseguem se desvencilhar desse ídolo, mamom se tornou o deus delas, são presas fácil das setas da ganância. Por causa do dinheiro, muitos cristãos deixaram de amar uns aos outros. Inclusive alguns obreiros perderam o foco do ministério, viraram pastores meramente profissionais, esqueceram a missão precípua diante do rebanho. Alguns igrejas locais estão contiminadas pelas porfias, tivemos em Filipos o exemplo de Evódia e Síntique, antes destemidas na obra de Deus, mas que se indispuseram uma contra a outra (Fp. 4.2). Existem disputas totalmente desnecessárias dentro das comunidades de fé, e que estão destruindo os relacionamentos, comprometendo a unidade da igreja. A começar pelas lideranças, que disputam territórios eclesiásticos, instigados pela ganância, que corrói o ministério e a espiritualidade. Precisamos resgatar na igreja evangélica a vocação genuinamente ministerial, pessoas que se comprometam com a obra. Há líderes que se negam a assumir igrejas menores, dizem que não podem ser rebaixados, como se ministério fosse uma hierarquia. Igrejas não são empresas, ministério não é profissão, riqueza não é seu objetivo. As pessoas mais simples da igreja estão seguindo o mesmo exemplo, muitas delas se debatem por cargos, querem tirar algum proveito das posições.

2. PROTEGENDO-SE COM A BENIGNIDADE
A proteção contra as setas malignas da porfia é a benignidade, cuja palavra em grego é cherestotes, que pode muito bem ser traduzida por “amabilidade, ternura, compaixão ou brandura”. Jesus é o maior exemplo de amabilidade, pois Ele mesmo declarou que seu jugo era suave (gr. cherestotes) em Mt. 11.30. Esse termo tem a ver com a disposição para viver bem com as pessoas, sem que isso se dê por meio da força ou coerção. Existem pessoas que somente se relacionam com outras por meio da imposição. Esse tipo de relacionamento é tóxico, e pode causar muitos estragos, principalmente aos mais frágeis na fé. A base dos relacionamentos deve ser a amabilidade, nunca a coerção. Cristo espera de nós que O amemos, e que esse seja o fundamento do nosso relacionamento com Ele (Jo. 14.21). Assim também deve ser nosso relacionamento com as pessoas da igreja, ninguém deveria se aproximar do outro para tirar algum tipo de vantagem. Esse tipo de relacionamento pode ser exemplificado por meio de um casamento, no qual a esposa e o esposo estão dispostos a viverem juntos, e a se comprometerem um com o outro, não por meio da força, mas do amor que os une (Ef. 5.25). Pastores devem aprender a ser amáveis com as suas ovelhas, não devem trata-las como se fossem servas deles, nem se aproveitaram das suas necessidades e fragilidades emocionais (I Pe. 5.1). Existem pessoas que adoeceram por causa de abuso ministerial, pastores que destrataram injustamente suas ovelhas. Devemos lembrar sempre que as ovelhas são do Senhor, e que essas foram compradas com precioso sangue, e delas prestaremos contas diante de Deus (At. 28,29).

3. CULTIVANDO A AMABILIDADE
Devemos aprender a cultivar a amabilidade, e isso se dá por meio do exercício da piedade (I Tm. 4.7,8). A partir de uma espiritualidade sadia, poderemos desenvolver essa virtude do fruto do Espírito, a fim de demonstrar nossa disposição para o serviço ao próximo, fundamentado no genuíno amor cristão (Mc. 12.29-31). A generosidade é uma maneira eficaz de demonstrar amabilidade, precisamos nos dispor a ajudar aqueles que são mais pobres, e que se encontram em condição de necessidade (II Co. 8.2,3). O individualismo egoísta precisa ser vencido por meio da gentileza cristã, que não se preocupa apenas em juntar tesouros na terra, mas que investe também nas riquezas celestiais (Mt. 6.19-21). As pessoas que são amáveis não se indispõem facilmente com as outras, assim como Davi fez com Saul, dependem da beneficência de Deus (II Sm. 9.1-3). Os pastores devem dar o exemplo, considerando o que escreveu Paulo a Timóteo, afirmando que “ao servo do Senhor não convém contender, mas, sim, ser manso (benigno) para com todos (II Tm. 2.24). Jesus, ao ser entregue aos seus inimigos, preferiu depender de Deus, demonstrando amabilidade, e perdoando seus algozes (Lc. 23.34). Estevão, o servo do Senhor, também seguiu Seu exemplo, mesmo sendo apedrejado, perdoou seus perseguidores (At. 7.59,60). Somente seremos amáveis ou benignos se estivermos dispostos a nos colocar na condição de servos do Senhor. O próprio Jesus não veio para ser servido, mas para servir, e dar a sua vida em resgate de muitos (Mt. 20.28). É nesse mesmo sentido que Paulo orienta para que levemos as cargas uns dos outros, a fim de demonstrar quão amáveis e benignos somos para os outros (Gl. 6.2).

CONCLUSÃO
Revelemos, pois, a amabilidade, exercitando misericórdia, não tratando os outros pelo que merecem, mas com graça. Não podemos esquecer que fomos alcançados pela graça maravilhosa de Deus em Cristo. Isso deve ser motivo suficiente para que sejamos amáveis em nossos relacionamentos. Vivamos, então, com altruísmo, não para nós mesmos, mas para os outros, pois para isso fomos chamados, e assim daremos muitos frutos, para a glória de Deus.

BIBLIOGRAFIA
BARCLAY, W. As obras da carne e o fruto do Espírito. São Paulo: Vida Nova, 2000.
KELLER, W. P. Frutos do Espirito. Venda Nova: Betânia, 1981.